Obscura sede de terceirização
19/1/2024
Na teia obscura da existência, a ânsia persiste,
Poder, veneno que a alma corrompe e dilacera.
Em sua voracidade, semeia a discórdia e o desencanto,
Um lamento sutil, a melodiosa sinfonia da fera.
A ambição, cinzel impiedoso, esculpe caminhos tortuosos,
Lapida a essência, deixando cicatrizes profundas.
Nas águas turvas da ganância, afunda esperanças,
Atrás de riquezas, o coração se afoga em respostas.
A vaidade, máscara cruel da ilusão,
Maquia a realidade, ocultando a verdadeira visão.
No palco da falsa perfeição, dança a mentira,
A beleza efêmera, que em sua essência expira.
Em uma trama de negócios sombria e fria,
O sucateamento surge como maquinaria.
Três estágios tramam a dança cruel,
Numa empresa, o destino se revela.
Primeiro, sutil, a categoria se desfaz,
Interesses individuais, traiçoeiros, a paz desfaz.
Dividem-se os laços, antes tão fortes,
Nesse jogo, os alicerces da união são cortes.
Os mais resistentes, na sombra da luta,
São alvos marcados, a resistência é enxuta.
Eliminar os bravos, os que resistem ao caos,
Nessa dança traiçoeira, são peças nos atos.
Área por área, o terceiro estágio avança,
Exterminar meticulosamente, como uma lança.
Cada setor tomba, como peças de dominó,
Num espetáculo macabro, o destino é só pó.
Assim, a empresa, outrora viva e acesa,
Sucumbe ao sucateamento, perde a beleza.
Transferindo o comando para terceiros cruéis,
A história se tece, em tristes papéis.
De: Alexandre Dias
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